quinta-feira, 19 de julho de 2007

A nova luta de Capriati: buscar sentido à sua vida


Há cerca de dois anos e oito meses, Jennifer Capriati não disputa uma partida profissional. Seu ultimo jogo foi em novembro de 2004, quando perdeu da russa Vera Zvonareva por 6/0 e 6/1 nas quartas-de-final em Filadélfia. A americana, hoje com 31 anos, passa por uma interminável provação, sofrendo com uma contusão no ombro que a impede até de bater uma bola em seu quintal. A ex-número 1 do mundo em outubro de 2001 já sofreu duas cirurgias, mas elas não resolveram o problema e logo terá de se submeter à terceira operação e a uma outra cirurgia em um dos pulsos, além de tentar achar uma solução para um problema degenerativo em suas costas", informa o site NYDaily.com em matéria publicada no domingo.

Sentindo-se abandonada pela sua ex-agência, a IMG, Capriati encara a sua própria fragilidade, ela que estava acostumada a usar toda a sua energia em quadra. "Só conhecia uma velocidade - 100 km por hora - e agora sinto-me presa neste lugar, sem poder me mexer."

Capriati concedeu entrevista na casa que alugou enquanto espera a conclusão de sua nova residência em Tampa. Sentada em um sofá, ela viu em sua TV de tela plana Venus Williams conquistar o quinto título em Wimbledon, uma experiência dura para a bicampeã do Aberto australiano (2001 e 2002) e campeã de Roland Garros em 2001. Incapaz de jogar, ela começou a questionar sua identidade. "Se não tenho tênis, quem sou? Apenas estava viva por causa do tênis. Tive de perguntar quem era Jennifer, o que fazer agora. Não podia viver desligada o resto da minha vida." Steven Capriati, irmão da jogadora e advogado em Tallahassee, Flórida, explica: "Para qualquer atleta que pára de fazer o que amava por 20, 25 anos, que vê isso ser retirado de repente, a passagem para a próxima etapa da vida pode ser bem dura."

A ex-menina prodígio do tênis americano surpreendeu ao chegar à final logo em sua estréia profissional no Virginia Slim da Flórida em março de 1990, quando perdeu o título para a argentina Gabriela Sabatini com placar apertado de 6/4 e 7/5. Contra qualquer expectativa, a garota de 14 anos fez uma excelente temporada, totalizando 42 vitórias contra somente 11 derrotas. Em seu terceiro torneio no ano, foi vice em Hilton Head (perdeu em dois sets de Martina Navratilova), foi quadrifinalista no Aberto da Itália (eliminada por Sabatini), foi semifinalista em Roland Garros (perdeu de Monica Seles), caiu nas oitavas de Wimbledon e do US Open diante de Steffi Graf, obteve o vice no Aberto de Porto Rico, alcançou as quartas no Aberto do Canadá e ganhou o Virginia Slim de Tóquio. Detalhe: começou 1990 sem estar ranqueada e terminou o ano como número 11 do mundo. Além dos três títulos de Grand Slam, foi medalha de ouro em simples nas Olimpíadas de Barcelona em 1992.

Aos 18 anos, rebelou-se contra os rigores do circuito profissional e o controle familiar e foi viver por conta própria. Oito meses depois de sua derrota na estréia do Aberto dos Estados Unidos, foi presa em um motel de Coral Gables, na Flórida, por porte de maconha. Naquela época, também estava à procura de sua identidade. "Quando alguém tão jovem possui tamanho talento e promessa e todo mundo se identifica com ela, isso pode causar um curto-circuito no processo natural de formação da identidade", explica o dr. Fred Wertz, responsável pelo departamento de psicologia da Fordham. Em 1996, com 20 anos, Capriati retornou ao tênis, foi ganhando confiança e em 2001 conquistou seus dois primeiros torneios de Grand Slam na Austrália e na França e foi apontada como a melhor esportista do ano.

Apesar do estupendo regresso, Capriati sofria de baixa estima, perguntava-se se as pessoas realmente gostavam dela. "Se estava no topo do meu jogo, vencendo Serena Williams, estava no topo do mundo, mas alguma coisa ainda estava faltando dentro de mim", conta. "O fator felicidade não estava presente. Ainda luto para descobrir o que é isso. Sempre fui muito crítica. Tenho dificuldade para gostar e me amar no dia-a-dia", confessa. "Não se trata só de mim batendo em uma bola de tênis. Trata-se do resto da minha vida. Como vou viver nesta Terra e acordar feliz com quem sou? Quero voltar ao tênis só para preencher aquele vazio de novo?"

Ela não se lembra de quando pensou em suicídio pela primeira vez. Só se recorda de estar perdida, cheia de dúvidas quanto ao seu propósito e valor, deprimida. "Às vezes, a gente chega num ponto em que não consegue parar o que está pensando. É como estar tomada por um demônio. Sente-se que não há como sair deste espaço em que se está, parece o fim do mundo. Quando se está tão exausto e cansado de se sentir desse jeito, você pensa 'Quero sair deste planeta já porque sinto-me infeliz por dentro. Não posso nem mesmo suportar minha própria pele e só quero fugir.'" Ela faz uma pausa no relato e continua. "Quanto mais se pensa nisso sem falar com alguém, mais ele te corrói por dentro. Ajuda conversar com pessoas que passaram por isso. Não se pode usar uma armadura todo o tempo." Capriati faz tratamento contra depressão, mas durante muito tempo se recusou a ter ajuda, temendo o que as pessoas iriam pensar dela. Apesar de afirmar que nunca tentou cometer suicídio, admite que a idéia vinha e ia, agora menos do que antes.

Capriati tem algumas mágoas contra a IMG, sua agência por quase 20 anos, e contra a USTA, a federação americana. "Basicamente foi como diz o ditado: Longe dos olhos, longe do coração. Havia expectativas mais interessantes naquele momento", comenta a respeito do abandono da IMG. Ela também lamenta não ter sido chamada para ajudar a USTA. Mas prefere não se fazer de vítima. "Não posso ficar sentada aqui e apontar o dedo, o que é importante é saber para onde vou daqui." Também não tem ressentimentos contra o pai, Stefano, apesar de achar que o fato de ter se tornado profissional muito cedo foi "um tiro pela culatra".

A ganhadora de 14 títulos de simples na carreira, às vezes pensa que não irá encontrar nada que se compare a ganhar Grand Slams ou o ouro olímpico. "Mas sei que não é verdade. Posso encontrar isso de novo, seja uma família, alguma coisa pela qual me sinta apaixonada. Agora, não tenho ninguém que diga o que fazer. Não tenho de responder a mais ninguém. Agora, é minha hora de brilhar." Jennifer espera encontrar algo que dê sentido à sua vida, de agora em diante, assim como aconteceu com Andrea Jaeger, ex-profissional que se tornou freira e se dedica a cuidar de crianças doentes, e Andre Agassi, que ajuda muitas crianças através de sua fundação. Ela admira os dois por seu trabalho.

"Sei que suicídio não é a resposta. (...) Ainda sou jovem, ainda tenho tempo para calcular as coisas. Tenho uma escolha. Vou deixar isto me derrotar, não querer nem estar aqui? Ou vou fazer alguma coisa para não sucumbir e talvez ajugar outras pessoas? Esta é a minha missão agora, encontrar felicidade e segurança no futuro."

Joana arrasa uruguaia e Teliana cai na estréia no Pan

Depois da vitória arrasadora de Jenifer Widjaja na estréia nos Jogos Pan-americanos nesta quarta-feira, uma vitória e uma derrota para o Brasil na tarde desta quarta-feira. Joana Cortez arrasou a paraguaia Veronica Cepede por 6/0 e 6/1, ao passo que Teliana Pereira caiu diante da canadense Alexsandra Wozniak por 6/3, 0/6 e 6/0.

Joana, bicampeã Pan-americana de duplas, não teve dificuldades para superar a fraca adversária do Paraguai. A tenista de 27 anos de idade ocupa hope a 407ª colocação na lista de entradas, e vai pegar na segunda fase a vencedora da partida entre a norte-americana Natalei Frazier e a argentina Jorgelina Cravero, terceira favorita na chave.

Já Teliana teve o azar de pegar uma adversária complicada. Wozniak é a 94ª do ranking e era a grande favorita sobre a brasileira, 323ª da WTA. Apesar da reação no segundo set, Teliana não soube administrar a pressão da última etapa e acabou levando um "pneu".

Ela ainda joga a chave de duplas com Joana. A parceria brasileira só estréia no Pan-americano nesta sexta-feira, se a programação da organização dos Jogos não for alterada.

Mello luta, mas é eliminado por Berrer em Los Angeles

Ricardo Mello lutou, mas não resistiu ao alemão Michael Berrer e acabou eliminado na segunda rodada do ATP de Los Angeles, com parciais de 6/3 e 7/5. O tenista de Campinas furou o qualifying do torneio de US$ 175 mil, arrasou o norte-americano Phillip King na primeira fase e parou diante do alemão número 92 do mundo.

No primeiro set, Mello começou muito menos intenso que Berrer e já foi quebrado logo de cara. O campineiro conseguiu devolver a quebra, mas não confirmou seu serviço em seguida e viu a vantagem do rival subir para 4/1. O alemão apenas administrou e venceu por 6/3.

A etapa seguinte foi extremamente disputada. Os dois tenistas trocaram duas quebras e empataram no placar por 4/4, com Mello tendo até mais chances de quebras. No 11º game, entretanto, Berrer cresceu no momento decisivo e agrediu o saque de Mello. Quebrado, o brasileiro não conseguiu evitar a vitória por 7/5 do alemão no game seguinte.

O campineiro, número 154 do mundo, foi quadrifinalista em Los Angeles há dois anos, quando caiu diante do eslovaco Dominiq Hrbaty. Em torneios de primeira linha nesta temporada, Mello jogou o ATP de Viña del Mar em fevereiro e não passou da fase de grupos, enquanto no Masters Series de Miami parou na segunda rodada diante de Nadal.

Pela campanha em Los Angeles, Mello vai somar 20 pontos. Como defendia 10, deve subir apenas cinco posições na lista de entradas. Isso será o suficiente para ultrapassar Thiago Alves. O paulista é o 144º, mas vai perder 10 pontos na próxima semana. Com isso, Mello volta a ser o número 2 do Brasil.